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terça-feira, março 01, 2011

Planeta Azul com tons de verde

Aqui fica uma entrevista à minha querida amiga Ema Magalhães no Planeta Azul:

16/02/2011
“Decidi-me a mudar, todos os dias, um comportamento menos amigo do ambiente”
Carlos Teixeira Gonçalves
Há listas e listas. Há listas que servem para organizar a sua vida (como a do supermercado) e listas que só servem para aumentar a frustração (1001 filmes para ver antes de morrer, 1001 livros ...). A lista de Ema Magalhães é feita para o transformar numa pessoa mais amiga do ambiente e está disponível num blogue chamado “365 coisas que posso fazer... para diminuir a minha pegada ecológica”.


Como surge o blogue “365 coisas que posso fazer... para diminuir a minha pegada ecológica”?

Na verdade já tinha um blogue “começado”, porque queria aprofundar os meus conhecimentos sobre uma vida mais sustentável, mas estava em banho-maria. Depois encontrei o livro da Vanessa Farquharson (Dormir nu é ecológico) e entusiasmei-me com o conceito. Comprei o livro, li-o e fiquei desapontada... Porque estava à espera de respostas, sugestões práticas e não as encontrei. Mas encheu-me de vontade de seguir o seu exemplo – apesar de tudo, apresentava uma lista inspiradora com 366 medidas – e só por isso valeu a pena. Renomeei o blogue e decidi-me a mudar, todos os dias, um comportamento ou um hábito menos amigo do ambiente, e a relatá-lo: primeiro para mim, para me “obrigar” a cumprir a minha resolução, e para outras pessoas que também procurassem soluções mais amigas do ambiente. Mas estava convencida que me manteria no meu círculo de amigos e conhecidos...

A sua pegada ecológica era muito grande ou, simplesmente, achou que devia ajudar os outros a diminuir a deles?

Até não era muito grande (1,53 “Terra”, o que quer dizer que se toda a gente vivesse como eu, seria preciso um pouco mais de uma Terra e meia...), comparada com a pegada média dos portugueses (2,23 “Terra”), que por sua vez não é das piores... Mas para mim já era o suficiente para não me sentir bem comigo própria. E esta foi a minha motivação, reduzir o mais possível o meu impacto no nosso planeta. Porque impacto vamos ter sempre, não é? Ainda que só respirássemos. O facto de poder contribuir para que outras pessoas mudassem hábitos foi, simultaneamente, um incentivo extra e uma responsabilidade. Nunca pensei que o “365 coisas que posso fazer...” chegasse a tantas pessoas. E gostava de deixar aqui um agradecimento profundo a todas as pessoas que seguem o blogue, a página no facebook, que me questionam, me esclarecem, me inspiram, sugerem assuntos, partilham experiências.

No seu dia-a-dia, que tipo de coisas evita fazer para não prejudicar o ambiente?

Prefiro dizer “faço” a “evito fazer”. “Evitar” tem uma conotação negativa, de que me estou a privar de algo, a fazer um sacrifício... Sinto que ao longo destes meses tenho modificado não só os meus hábitos, mas a minha perspectiva dos outros, do mundo que me rodeia, de mim até. Descobri que ainda tenho um longo caminho a percorrer. É todo um modo de vida que se reajusta, com implicações mais profundas do que parece. Mas é uma mudança positiva. Passei de alguém que pensava que já “fazia tudo o que vem nas listas dos comportamentos verdes” (reciclar, poupar água e energia), para alguém que sabe que antes do reciclar – e até do reutilizar – está o reduzir, que poupar água é muito mais do que não deixar a torneira a correr e que para poupar energia não basta desligar as luzes ao sair de uma divisão. Alguém que todos os dias põe em prática e procura novas formas de aplicar estas “regras”. Como já disse algures no blogue, é como um vício, mas um vício bom (ainda que tal seja contraditório). Não vou dizer que não há dias em que me apetece esquecer tudo. Há. Nesses dias digo a mim própria, em voz alta: “A ignorância é uma benção...” E como me soa ridículo, contrário à minha natureza, passam-me logo “os azeites”...

Qual das 189 medidas que inseriu até agora tem sido a mais difícil de pôr em prática?

Hummm... Coser e tricotar... Sempre fui meio maria-rapaz e sou boa a “carpinteirar” (o hobby do meu pai) mas fugia a sete pés das minhas avó e tia que me queriam prendada... Ainda não lhe tomei o gosto. Também não gosto muito de apanhar o lixo dos outros, ainda que ande sempre com umas luvas para esse fim. Agora no Inverno tomar o duche com a água mais para o fresquinho (apesar de saber que é bom para a minha saúde)... Também tenho andado frustada porque uma das nossas gatas resolveu fazer greve à serradura, começou a deixar “presentes” em locais menos próprios e tivemos que voltar a comprar areia “má”. Estou a ver se lhe passa a crise da adolescência...

Pode revelar qual é a próxima ideia que vai adicionar ao “365 coisas...”? O que vai ser a número 190?

Vou falar sobre passadeiras: automóveis, peões, ciclistas... Por acaso foi uma sugestão lançada por um leitor. Como disse anteriormente, são indispensáveis!

Quando chegar às 365 entradas vai desistir? Já pensou no futuro do blogue?

Nos primeiros cinco meses deste desafio consegui manter o ritmo a que me tinha proposto – uma resolução e um post por dia. Depois coisas boas aconteceram na minha vida, mas deixaram-me menos tempo para me dedicar ao blogue. Também me tornei mais minuciosa, pesquisando cada tema quase até à exaustão antes de escrever. Senti-me mais responsável por tanta gente ler os meus textos. Andei angustiada durante uns tempos, até que me convenci, com a ajuda de quem partilha comigo o dia-a-dia, a relaxar mais, a aceitar um novo ritmo. Também quero que as pessoas percebam que, ao contrário da Vanessa, eu não me dediquei a este desafio com o apoio financeiro do jornal/editora e não fazendo mais nada. Continuo com os meus trabalhos, encaixando o blogue na minha vida “normal”. Da mesma maneira que não previ nada do que aconteceu até agora, não faço a mínima ideia – e ainda bem – do que virá. A minha resolução mantém-se (ainda que modificada): mudar 365 coisas na minha vida de modo a reduzir a minha pegada ecológica e continuar a partilhar as minhas “aventuras” com quem segue o desafio. Depois logo se verá!

sexta-feira, julho 23, 2010

Entrevista ao Eng. João Ferreira - ETA de Lever

Às vezes sou uma toupeira muito curiosa, mas a culpa é da Tupilde e dos meus filhotes. Estão sempre a questionar-me sobre mil e uma coisas e às vezes eu não sei responder! Por isso, decidi falar com o meu amigo João Ferreira, aqui da Águas do Douro e Paiva e numa agradável conversa, consegui saciar a curiosidade da minha família e pude conhecer melhor o trabalho de um Técnico de Captação e Tratamento.
Perguntei-lhe se um dia tinha adormecido e sonhado com a sua profissão futura. Afinal, descobri que foi uma mistura de intenções e destino! Caricato. Quase terminado o curso de Engenharia Química da Faculdade de Engenharia do Porto, uma nova disciplina (Projecto de integração no mundo de trabalho) lançou-o na procura de um trabalho. “Na brincadeira”, referiu. Mas na verdade, naquele anúncio de jornal, estava escrito o seu futuro profissional. A vida já lhe tinha mostrado o caminho há muitos anos trás, pois ainda pequeno já o ambiente fazia parte das suas lides diárias e já na faculdade optou pelo ramo poluição. O início do trabalho na AdDP foi uma verdadeira aventura e uma experiência única, pois “pude fazer parte de um projecto ainda no início! Quando cheguei aqui, a ETA de Lever ainda estava a ser construída. Tive formação, juntamente com os meus colegas engenheiros e os futuros operadores da ETA, com a empresa Patterson”. Era o dia 16 de Julho de 1999. Ora, fazendo as contas, foi há 11 anos atrás.
Trabalhar numa Estação de Tratamento de Águas Residuais nunca lhe passou pela cabeça. Talvez porque a oportunidade nunca lhe surgiu e cá para nós, o cheiro laboral não seria o mesmo, pois não?
O perfeccionismo e a vontade de saber um pouco mais sobre as suas tarefas diárias, levou-o à Holanda. Lá, a realidade aquática é muito diferente da Nacional. “Os rios são autênticos esgotos e consequentemente os tratamentos terão de ser muito diferentes dos nossos. As Estações de Tratamento de Água são gigantes e os métodos usados não são comparáveis aos nossos. Aprendi imenso enquanto lá estive. Há métodos que podemos usar na nossa ETA, mas outros não são de todo aplicáveis à nossa realidade”. Ainda aprendi algumas técnicas ao pormenor que são usadas nas ETA’s da Holanda.
Questionei-o quanto à necessidade de haver pessoas numa ETA se há tantas máquinas que substituem os humanos. “As máquinas não são sensíveis e só fazem aquilo que lhes mandamos fazer”. As pessoas são essenciais num trabalho desta envergadura e importância.

Fiquei a pensar que se tantas pessoas sobreviveram sem ETA's no passado porque são tão necessárias hoje em dia? Rapidamente me referiu a qualidade da água de agora e no passado. “A minha tia, já depois de a ETA de Lever ter sido construída disse-me que antigamente a água faltava em casa, constantemente, no verão. Isso agora não acontece”. Deve-se também à pressão na rede. “Dantes, havia pouca água potável para muitas pessoas. Além disso, antigamente, nem todas as pessoas tinham água da companhia. Não havia uma ETAR a descarregar directamente no local onde a água era captada, as águas não eram controladas e a qualidade de vida era diferente. Além disso, o organismo humano habitua-se a determinados factores. Antigamente, não se sabia se determinados problemas de saúde tinham a sua causa na qualidade da água. O investimento feito pela Águas do Douro e Paiva na qualidade e na quantidade foi muito grande e isso revela-se na óptima água que fornecemos aos clientes”.


João, são necessários muitos conhecimentos técnicos e específicos para o trabalho que desempenhas diariamente?
´”O trabalho de um operador da ETA é essencial. A água não é enviada para os municípios se não houver operadores na sala de comando. É verdade que para o meu trabalho, o trabalho efectuado pelos operadores é essencial. Mas os conhecimentos que trago da minha formação são essenciais.

Será que a Natureza agradece a missão laboral diária do João? Que bem fará a Natureza o trabalho do João? Perguntei-lhe se o seu trabalho estava intimamente ligado com a Natureza.
“Sim, tenho uma consciência ambiental muito grande, tanto no trabalho como na minha vida pessoal. Acredito no conceito de poluidor pagador e as ETA’s só existem, porque a água do Rio é poluída. De qualquer forma, no meu trabalho diário coloco todos os conhecimentos pró-ambiente que tenho e todos os outros que vou aprendendo diariamente, tanto em formações promovidas pela AdDP, como as que trago da minha vida pessoal”.

Então é fácil levares para casa muitos conhecimentos que poderás colocar em prática em tarefas tão simples como lavar a louça, não? “Claro! A minha consciência ambiental é igual aqui e em casa. Aliás, aprendo também imensas coisas com as minhas filhas. Não há banho lá em casa que não tenha na banheira um garrafão, para poder guardar a água inicial antes que ela aqueça. Até elas já sabem que há coisas que se fazem lá em casa que estão intimamente ligadas com a consciência ambiental que marca a minha família”.

Faltava ainda a grande questão. Deixei-a para o fim, como jeito de conclusão desta tão animada conversa. Será que o João bebe água da torneira lá em casa? “Confio plenamente na água à saída da nossa ETA. Apelo apenas aos moradores em prédios, que tenham o cuidado de fazer uma limpeza e desinfecção regular dos depósitos da água. Só assim, todas as pessoas poderão ter confiança na água que bebem da torneira. Pois, sabendo que a água fornecida pela Águas do Douro e Paiva é de óptima qualidade, as tubagens e os depósitos que cada um tem até e na sua casa terão de estar em boas condições, para que a água que chega às suas torneiras seja de tão boa qualidade quanto a água à saída da ETA de Lever”.


 
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