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terça-feira, maio 10, 2011

Fernando Pessoa - poema de Alberto Caeiro

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

terça-feira, maio 25, 2010

"Máquina Do Mundo"

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.

Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão, Poesias Completas

terça-feira, maio 18, 2010

"Do eixo dos mundos ergo uma linha"

Do eixo dos mundos ergo uma linha

que me eleva até ao céu

e deixo me lá ficar por alguns segundos

a observar as pendentes emanações da vida

dos olhos verdejantes das florestas

compreendo a linguagem que falam

espíritos da terra e da natureza

são como os rios que correm

fluindo na certeza

de que o homem pertence à terra

e a terra não pertence ao homem



Trinta, Guarda, Fevereiro 2008, poema de Enlaçador Eléctrico

quarta-feira, maio 12, 2010

Canção dos malmequeres

Um amigo meu mandou-me
Um ramo de malmequeres,
Para os desfolhar e ver
Como pensam as mulheres

Para ver como tu pensas,
Eu desfolhei mais de cem.
Os malmequeres não mentiram.
Tu só me quiseste bem.

Mando-te o resto, desfolha-o,
Não haverá malmequer
Que te não diga, no fim,
Bem me quer e bem nos quer


António Menano

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Fernando Pessoa no CEA

Na ribeira deste rio

Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio.
Nada me impede,
Me dá calor ou dá frio.

Vou vendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
Numa sequência arrastada, do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando,
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali,
E do seu curso me fio,
Porque, se o vi ou não vi,
Ele passa e eu confio.

Fernando Pessoa

Sei que a vida pode não parecer poética, mas por isso a Natureza criou poetas. Esses escritores que escrevem a alma e os sentimentos. Então e vocês? São poetas? Pelo menos, escritores sei que são! Até têm um jornal e tudo: o fogacinha. O CEA saiu noticiado 2 vezes e tudo! Ora vejam:


E a accção de educação ambiental? Foi produtiva e muito engraçada. E se brindássemos com chocolates quentes e capuccinos ao sucesso desta tarde? Então brindemos às meninas Liliana e Raquel, as vossas monitoras, às carpas, pimpão, ruivacos, tenca, enguia, bogas e peixes-mosquitos, às borboletas, abelhas, libelhinhas, cobras e tritões, ao lago mágico, aos vossos professores que tiveram a brilhante ideia de vos trazer aqui e ao ambiente! Tchim Tchim!


Aqui fica o certificado da vossa presença no CEA:Quero saber de que maneira poética olham a Natureza...

segunda-feira, novembro 26, 2007

O Sol da minha vida...

...acaba por ser o próprio Sol. Sei que a chuva faz falta aos nossos terrenos, mas o Sol ilumina-me e ajuda também as plantas.
É a estrela central do nosso sistema planetário. É a estrela central do meu mundo.
Existe a visão solar científica: aqui.
Existe a visão solar poética, porque
«Quando o sol
tem medo do escuro
acende as estrelas.»
E
«E em que idioma
são as histórias
que o sol lê
antes de adormecer?»

MANGAS, Francisco Duarte, MÉSSEDER, João Pedro, Breviário do Sol, Caminho, 2002

quarta-feira, outubro 31, 2007

Os insectos são poetas: ora leiam

Em mais próximo e mais interessante convívio,
afluem os insectos, com uma sem-cerimónia
campesina, -. borboletas, vespas, abelhas, cigarras,
tira-olhos, grilos, ralos, louva-a-Deus, variadíssimos
coleópteros, a chusma inteira, enfim, - Muitos
destes seres, voejando de arbusto para arbusto,
de flor para flor, colhendo sucos e respirando aromas,
colaboram indiscutivelmente como elementos
decorativos dos jardins; dos jardins e, de quando
em quando, das casas igualmente, pois alguns
deles, como as vespas, invadem-me o casebre e
vêm construir ninhos nas paredes.

Wenceslau de Moraes,
O «Bon-odori" em Tokushima.

 
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